A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) prevê investimentos da ordem de R$ 50 bilhões em infraestrutura da Rede Básica de transmissão de energia elétrica nos próximos anos.
Segundo estudo divulgado nesta semana, os projetos envolvem 15 mil km de novas linhas de transmissão e 16 novas subestações, que deverão entrar em operação entre 2028 e 2029, a depender da programação dos leilões dos próximos anos. As informações constam no caderno de expansão da transmissão 2032.
O estudo serve para preparar o sistema de transmissão considerando a previsão de expansão da geração de energia elétrica renovável nas regiões Norte e Nordeste. O estudo considera um total de 34 GW de geração eólica e solar contratada ou confirmada até 2025.
Desse total, 19 GW estão em operação, 6 GW contratados em leilões e 9 GW com parecer de acesso e CUST (Contrato de Uso do Sistema de Transmissão) assinado no mercado livre. Considerando só as usinas solares, são 2,3 GW em operação, 1,7 GW contratados em leilões e 5 GW no mercado livre.
Segundo a EPE, quando avaliado o custo global de expansão do sistema, considerando as parcelas de geração e transmissão, conclui-se que os referidos investimentos retornam em benefício financeiro a ser usufruído não apenas pelos agentes de geração, mas também pelo consumidor final de energia elétrica.
“Os investimentos necessários para a expansão do sistema propiciarão um fornecimento de energia elétrica mais competitiva ao SIN (Sistema Interligado Nacional), ao proporcionar o acesso de novos empreendimentos de geração de energia, de baixo custo, à rede elétrica”, destaca a EPE.
Em função dos elevados montantes demandados para expansão da interligação Nordeste-Sudeste/Centro-Oeste, verifica-se a necessidade de um novo bipolo em corrente contínua. Estão em avaliação algumas possibilidades de conexão para esse novo corredor, observando fatores como otimização energética e minimização de perdas elétricas.
Ativos em final de vida útil
Os ativos em final de vida útil regulatória podem somar aportes de R$ 37,6 bilhões nos próximos 10 anos e mais R$ 18,3 bilhões no horizonte a partir de 2033. “Um desafio a ser enfrentado pelo planejamento da transmissão consiste no envelhecimento do sistema de transmissão brasileiro, realidade que tende a se tornar mais crítica nos próximos anos”.
“Há que assegurar a substituição racional da infraestrutura do sistema elétrico em fim de vida útil de modo que a malha de transmissão possa operar com os níveis de confiabilidade e qualidade exigidos pela sociedade”, finaliza o planejador.